Blog dedicado ao ensino de fotografia. Material de apoio para as aulas de Oficina de Fotografia. Exercícios com a câmera fotográfica: conceito e prática.
sexta-feira, 20 de maio de 2011
quarta-feira, 18 de maio de 2011
Portraits: Hiroshi Sugimoto. Uma pequena parte da minha tese.
“No caso das figuras históricas, pré-fotográficas; é como se eu fosse um fotógrafo do século XVI, pronto a participar em seu processo de memorialização.”[1]
Se esta fotografia lhe parece viva, seria melhor reconsiderar o que significa estar vivo, aqui e agora.”[2]
A ingenuidade da crença homológica entre o que é representado fotograficamente e o que existe no mundo real é salientada por Arlindo Machado em sua obra. “A Ilusão especular”. Machado (1984, p. 49) salienta que esta crença no determinismo da representação fotográfica nada mais representa do que a crença em um estereótipo do real: “aquele a que nos viciou a tradição figurativa”. Foi justamente a tradição figurativa de retratos renascentistas que inspiraram Sugimoto a retratar esculturas de cera do museu londrino “Madame Tussaud´s”.
Nessa série de fotografias, Sugimoto rearticula o antigo diálogo entre a pintura e a fotografia, justamente porque as figuras de cera são elaboradas a partir de retratos pintados realizados durante o século XVI, das seis esposas do rei Henrique VIII. No documento acessível online “Behind the scenes” [3] no site do Museu MadameTussaud’s londrino, existem explicações esclarecendo como os artesãos do museu conseguem sugerir um alto grau de realismo na reprodução das personalidades em cera. Se a pessoa ainda estiver viva e tiver disponibilidade, suas medidas são registradas detalhadamente e várias fotografias são feitas. Se a pessoa já for falecida ou sem disponibilidade para ir até o museu, os artesãos trabalham a partir de referências imagéticas delas: fotografias ou, no caso dos membros da família real, pinturas e gravuras.
O pintor retratista da corte inglesa, célebre pela arte fidedigna de retratar seus sujeitos, Hans Holbein, serviu como inspiração para que Sugimoto desenvolvesse este trabalho[4]. Sugimoto estudou nas pinturas os efeitos de luz, assim como a linguagem de estruturação do retrato renascentista. Isolou as esculturas de seu local de exposição, colocando-as diante de um fundo neutro, fotografando-as com sua câmera 8X10.
Os resultados surpreendem pelo efeito de realismo. Espantosamente, o fotógrafo parece adicionar vida às figuras: as fotografias parecem evocar uma presença real. Há um poderoso argumento do discurso fotográfico que tem, no retrato, um dos maiores paradigmas da natureza realista da fotografia.
Se a fotografia, para Roland Barthes, parece impossível de ser compreendida quando deslocada de seu sujeito fundante (daquele que emana os raios de luz em direção à superfície foto-sensível); o retrato fotográfico se estruturaria pela contigüidade entre referente e representação.
Mas, no caso de retratos de esculturas de cera, os referentes originais, isto é, o rei e as rainhas que viveram durante o século XVI na Inglaterra nunca se postaram efetivamente frente às lentes de Sugimoto. O resultado imagético que se observa pode ser explicado considerando-se, no mínimo, três instâncias reprodutivas de traços fisionômicos dos referentes: a pintura, a escultura e a fotografia.
Até mesmo Walter Benjamin, que imputa à reprodutibilidade o esvaziamento simbólico da obra, enxerga nos retratos um atestado de presença. Assim se refere à fotografia de retratos: “Sua última trincheira é o rosto humano... Na expressão fugidia de um rosto de homem, as fotos antigas dão um lugar à aura por uma última vez.” (1969, p. 26).
A idéia de um referente original, de uma presença parece assombrar fotografias daqueles já falecidos. Hans Belting (2005) sugere que os retratos dos mortos têm como função introduzir um novo status para os falecidos: seu estado imagético. É importante ressaltar que a imagem utilizada no Japão para representar uma pessoa falecida possui um significado simbólico fundamental. Utilizadas inicialmente como peças de devoção de membros da nobreza japonesa, atualmente, fotografias são amplamente utilizadas em cerimônias funerárias ou expostas em memoriais. As fotografias de pessoas já falecidas são denominadas de iei, cujo significado poderíamos traduzir por: “uma figura deixada para trás neste mundo”[5] (Naoyuki, 2003, p. 27). Estas fotografias são fundamentais na realização de cerimônias funerárias às quais os japoneses se referem como: “um encontro face a face com o falecido” (Naoyuki, 2003, p. 27). Ressalte-se que, diferentemente de outras culturas, a imagem utilizada para representar o morto é sempre um retrato da pessoa quando viva.
Parafraseando a famosa expressão de Roland Barthes, “aquele que era”[6] se torna retrospectivamente presentificado através de seu retrato. A imagem nos traz de volta o sujeito: alcançamos “os que foram” por meio das suas imagens petrificadas. Contudo, subsiste uma distância intransponível entre cópia e original, referente e representação, passado e presente.
Sugimoto brinca com o espectador, ressaltando que, se estas fotografias nos parecem vivas, seria melhor reconsiderar o que significa estar vivo. Douglas Crimp (1993, p.111) explica o fascínio por esse tipo de trabalho, salientando que o desejo da representação só existe na medida em que o original é, para sempre, adiado.
[1] “In the case of the historical, prephotographic-era figures, it’s as if I’m a sixteenth century photographer ready to participate in their memorialization”. BASHKOKOFF, Tracy. The exactness of the world: a conversation with Hiroshi Sugimoto. In: SPECTOR, Nancy (org). Sugimoto: Portraits. New York : Guggenheim Museum Publication, 2000, p. 28.
[2] “If this photograph now appears lifelike to you, you had better reconsider what it means to be alive here and now”. http://www.sugimotohiroshi.com/wax.html
[6] A paráfrase se refere à famosa expressão de Roland Barthes no livro “A câmara clara”: “isso foi” (1984, p. 115).
domingo, 15 de maio de 2011
quarta-feira, 11 de maio de 2011
Trabalho - Texto Dubois
Data de entrega: 17 de maio.
Leia atentamente o texto: "As origens da fotografia" de Philippe Dubois.
O texto está disponível no livro: DUBOIS, P. O Ato fotográfico. São Paulo: Papirus, 1993, p. 128-139.
1.Escolha um trecho do texto que lhe chame a atenção e discorra a respeito com suas próprias palavras.
2. A partir das discussões realizadas em sala de aula e da leitura do texto, comente a afirmação de Dubois: "A foto é uma sombra impressionada e fixada" (p.138).
O texto estará disponível na pasta de xerox n. 44 do Multiuso. Há alguns exemplares do livro na biblioteca.
Você pode também acessar o texto online através do google books: http://books.google.com/books?id=U4srQ7I5--8C&printsec=frontcover&dq=dubois+philippe&hl=pt-BR&ei=ue7KTdjjCdG9tgfS6YDxBw&sa=X&oi=book_result&ct=result&resnum=1&ved=0CCkQ6AEwAA#v=onepage&q=as%20origens%20da%20fotografia&f=false
Bom trabalho!
Leia atentamente o texto: "As origens da fotografia" de Philippe Dubois.
O texto está disponível no livro: DUBOIS, P. O Ato fotográfico. São Paulo: Papirus, 1993, p. 128-139.
1.Escolha um trecho do texto que lhe chame a atenção e discorra a respeito com suas próprias palavras.
2. A partir das discussões realizadas em sala de aula e da leitura do texto, comente a afirmação de Dubois: "A foto é uma sombra impressionada e fixada" (p.138).
O texto estará disponível na pasta de xerox n. 44 do Multiuso. Há alguns exemplares do livro na biblioteca.
Você pode também acessar o texto online através do google books: http://books.google.com/books?id=U4srQ7I5--8C&printsec=frontcover&dq=dubois+philippe&hl=pt-BR&ei=ue7KTdjjCdG9tgfS6YDxBw&sa=X&oi=book_result&ct=result&resnum=1&ved=0CCkQ6AEwAA#v=onepage&q=as%20origens%20da%20fotografia&f=false
Bom trabalho!
domingo, 8 de maio de 2011
Fenômeno da câmera escura: aconteceu comigo
Hoje acordei com a fotografia.
O fenômeno da câmera escura aconteceu dentro do meu quarto.
Observe a imagem da árvore projetada na parede:
O fenômeno da câmera escura aconteceu dentro do meu quarto.
Observe a imagem da árvore projetada na parede:
Fotografei o pedaço correspondente da árvore que fica em frente à minha janela:
Observe o fenômeno acontecendo novamente: projeção de imagens dos carros estacionados em frente à quadra:
Fotografei os carros estacionados:
quarta-feira, 4 de maio de 2011
Bavcar: filósofo da visão.
“Para mim, os cegos representam o único grupo que ousa olhar o sol diretamente nos olhos.”
Bavcar perdeu o olho esquerdo aos 10 anos, perfurado por um galho de árvore, e o outro, aos 11, na explosão de um detonador de minas com o qual brincava. “A perda da visão do olho direito veio aos pouco, com a passagem dos meses, como se se tratasse de um longo adeus à luz”, recorda. Os acidentes fizeram com que Bavcar descobrisse a realidade do “terceiro olho”
O Sr. acha aborrecido ter de responder sempre às mesmas perguntas?
Evgen Bavcar – Isso é interessante, porque sou obrigado a criar, fazendo variações, para não dar sempre as mesmas respostas. A pergunta, invariável, é: como você faz as fotos? Não quero responder a isso, porque não é importante como faço as fotos, e sim por que as faço. Não se pode perguntar a um artista, ou mesmo a qualquer pessoa, como ela faz amor. Esse é um problema íntimo. Da mesma forma, como faço as fotos é um problema íntimo. Faço, sobretudo, com um equipamento fotográfico. Que não foi criado por um cego, nem por um homem que não tinha a mão esquerda, mas por uma pessoa normal.
JU – Como o senhor consegue “ver” as fotos, depois de feitas?
Bavcar – Com as palavras dos outros. Para mim, as fotos pertencem a uma inutile beauté, uma beleza inútil. Não sou um consumidor direto, e isso me dá a força da transcendência imediata. O escritor e crítico de arte inglês John Berger comparou minhas fotos com as pinturas feitas nas tumbas do Egito. Minhas fotografias não foram criadas para as tumbas – para minha tumba sim, porque não as vejo –, mas para os olhares físicos dos outros. Nesse sentido, ligam-se à minha transcendência somente como idéias.
JU – Pode-se dizer que o senhor fotografa através dos olhos dos outros? É isso que o leva a fotografar algo ou alguém?
Bavcar – Minhas fotografias só existem para mim enquanto existem para os outros. A palavra de outros olhos me contam a realidade física de minhas fotografias. Conheço somente suas realidades conceitual e espiritual, reveladas por meu terceiro olho, com o qual eu fotografo.
Bavcar – Com as palavras dos outros. Para mim, as fotos pertencem a uma inutile beauté, uma beleza inútil. Não sou um consumidor direto, e isso me dá a força da transcendência imediata. O escritor e crítico de arte inglês John Berger comparou minhas fotos com as pinturas feitas nas tumbas do Egito. Minhas fotografias não foram criadas para as tumbas – para minha tumba sim, porque não as vejo –, mas para os olhares físicos dos outros. Nesse sentido, ligam-se à minha transcendência somente como idéias.
JU – Pode-se dizer que o senhor fotografa através dos olhos dos outros? É isso que o leva a fotografar algo ou alguém?
Bavcar – Minhas fotografias só existem para mim enquanto existem para os outros. A palavra de outros olhos me contam a realidade física de minhas fotografias. Conheço somente suas realidades conceitual e espiritual, reveladas por meu terceiro olho, com o qual eu fotografo.
http://www.ufrgs.br/jornal/setembro2001/entrevista.html
Exercício do fotógrafo cego
INSTRUÇÕES
Exercício do fotógrafo cego
Realizar em dupla:
Para começar este exercício é muito importante que os dois participantes estejam CALMOS.
Vamos realizar um exercício de respiração para começar. Fechem os olhos e respirem profundamente, deixando o ar entrar pelo nariz e sair pela boca. Ao inspirar realize inspirações profundas. Ao inspirar sinta sua barriga se movimentando, crescendo, ao expirar, a barriga volta ao normal. Quando se sentirem calmos, iniciem o exercício.
No momento em que se sentirem prontos para realizar o exercício, o aluno que iniciará o exercício como o fotógrafo cego irá vendar os olhos. O outro colega irá auxiliar o fotógrafo cego a se movimentar. Ao realizar o exercício com os olhos vendados, lembre-se de manter a calma, respirando profundamente. Ao poucos você irá experimentar novas sensações, mantenha a calma e movimente-se lentamente. O seu colega está ao seu lado para lhe auxiliar a se movimentar.
Fotógrafo cego: Tirar cerca de 30 fotografias SEM OLHAR, com os olhos vendados. Fique atento aos sons, ao barulho do vento. Procure fotografar intuitivamente, guiado pelos sons, pelo vento, manchas de luz percebidas. Auxiliado pelo seu colega, você também poderá tocar as coisas ao seu redor, fotografe o que você percebe com seus dedos.
Auxiliar do fotógrafo cego: Você irá ajudar seu colega andar, alertando-o sobre degraus, buracos no chão e auxiliando-o no que for necessário. Procure não interferir muito na escolha do que será fotografado.
Depois de tirar cerca de 30 fotografias, ou quando sentir que conseguiu finalizar o exercício, o fotógrafo cego irá retirar a venda, desligar a máquina SEM OLHAR PARA AS FOTOS e TROCAR DE FUNÇÃO COM O COLEGA. ISTO É, O FOTÓGRAFO CEGO IRÁ SE TORNAR O AUXILIAR E O AUXILIAR IRÁ VENDAR OS OLHOS, se tornar o fotógrafo cego e REALIZAR O EXERCÍCIO.
Vamos manter o suspense sobre as fotografias até a próxima quinta, dia 12 de maio.
Entregue sua máquina para seu colega. Caso isso não seja possível, envie as fotografias que você fez por email, zipadas ou entregue gravadas em cd ou em pendrive. É importante que você não examine e não olhe para as fotografias que tirou. Somente o seu colega irá vê-las. Seu colega que atuou como seu auxiliar irá escolher uma fotografia da série enviada e irá escrever um parágrafo comentando o porquê da escolha desta fotografia.
Seu colega irá lhe enviar as fotografias que ele fez e você fará o mesmo: irá escolher uma foto, escrever um parágrafo sobre a fotografia escolhida e trazer toda a série de fotografias feitas pelo seu colega para a aula do dia 12.
No dia 12 de maio, cada aluno trará para a aula toda a série de fotografias do colega – em contato digital/índex ou gravadas em cd/pendrive. O auxiliar irá comentar toda a série realizada pelo colega, a fotografia escolhida e ler o que escreveu sobre a mesma. Enquanto isso, quem fez a foto ficará de olhos fechados ouvindo a explicação do colega, imaginando a fotografia. Depois poderá abrir os olhos.
Assinar:
Postagens (Atom)







